Foguete que explodiu após decolar de Alcântara voltará a ser lançado em novembro
O foguete sul-coreano HANBIT-Nano na plataforma de lançamento em Alcântara (MA)
O foguete sul-coreano HANBIT-Nano na plataforma de lançamento em Alcântara (MA)
Força Aérea Brasileira
A empresa sul-coreana InnoSpace anunciou, nesta quarta-feira (22), que pretende lançar o foguete HANBIT-Nano em novembro de 2026, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. O modelo é o mesmo que explodiu poucos segundos após a decolagem, em dezembro de 2025, durante a primeira tentativa de lançamento da empresa no Brasil.
A nova missão deverá colocar em órbita o satélite de testes InnoSat-0, desenvolvido pela própria InnoSpace. O objetivo é avaliar as melhorias feitas no sistema de lançamento após o acidente ocorrido no ano passado.
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A data exata do lançamento ainda depende da conclusão de etapas técnicas, operacionais e regulatórias. As condições meteorológicas e os requisitos de segurança de voo também serão considerados.
Segundo a empresa, os componentes do foguete e os equipamentos usados em solo já foram enviados ao Brasil. As atividades de preparação em Alcântara estão em andamento e são realizadas em conjunto com os órgãos e instituições envolvidos na campanha.
O lançamento faz parte do movimento de ampliação do uso comercial de Alcântara por empresas privadas do setor espacial. O Centro de Lançamento de Alcântara é uma das principais bases espaciais do Brasil e tem sido apresentado como uma estrutura estratégica para operações comerciais.
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Voo de teste do veículo suborbital SEBIT
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Divulgação/Innospace
Além da missão do HANBIT-Nano, a InnoSpace marcou para 19 de agosto de 2026 o primeiro voo de teste do SEBIT, um foguete suborbital multipropósito.
O veículo foi desenvolvido para testar cargas úteis, verificar novas tecnologias e realizar missões de pesquisa. O voo ocorrerá próximo ao limite do espaço, mas sem entrar na órbita da Terra.
A missão faz parte da etapa de desenvolvimento do SEBIT. Durante o voo, a empresa pretende coletar dados e avaliar o funcionamento do veículo, dos equipamentos e das operações em solo.
Segundo a InnoSpace, as informações obtidas também serão usadas para aperfeiçoar o foguete e aumentar a confiabilidade dos lançamentos. No futuro, a companhia pretende oferecer serviços de testes suborbitais a instituições de pesquisa e empresas do Brasil e de outros países.
O voo será realizado em parceria com a Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A. (ALADA), estatal brasileira. O contrato para a execução do projeto foi anunciado em 6 de julho.
🔎 O que é a ALADA? A Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A. (ALADA) é uma empresa pública federal, subsidiária da NAV Brasil, estatal vinculada ao Ministério da Defesa. A criação da subsidiária foi autorizada pela Lei nº 15.083, de 2025, e formalizada em julho do mesmo ano para atuar em projetos aeroespaciais, explorar economicamente a infraestrutura e a navegação aeroespaciais do país, desenvolver e comercializar tecnologias do setor e apoiar a cooperação entre o governo brasileiro, empresas nacionais e companhias estrangeiras.
As missões também contam com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB), da Agência Espacial Brasileira (AEB) e de outras autoridades envolvidas nas operações.
De acordo com a InnoSpace, o cronograma das duas missões foi atualizado para adequar o planejamento das campanhas, o uso da estrutura do Centro de Lançamento de Alcântara e o cumprimento de exigências técnicas, operacionais e regulatórias.
As datas ainda poderão ser alteradas conforme o andamento dos preparativos, as condições meteorológicas e os requisitos de segurança dos lançamentos.
Se for realizado como previsto, o lançamento fará do SEBIT o segundo foguete comercial lançado no Brasil. O primeiro foi o Hanbit-Nano, também da InnoSpace, que decolou de Alcântara em 23 de dezembro de 2025, mas sofreu uma falha durante o voo e foi destruído. O acidente não deixou feridos.
Como será o teste
Centro de controle da Base de Alcântara no Maranhão
Força Aérea Brasileira (FAB)
Segundo a empresa, o foguete foi desenvolvido para missões de teste, verificação e pesquisa de cargas úteis de clientes. Ele poderá ser usado, por exemplo, em simulações de microgravidade, pesquisas científicas, verificação funcional de componentes espaciais e demonstrações tecnológicas em ambientes de alta velocidade e altitude.
O modelo tem um motor híbrido com 3 toneladas de empuxo e sistema integrado de telemetria, tecnologia usada para transmitir e analisar em tempo real informações como a posição do foguete e o status da carga útil durante o voo.
Kim Su-jong, CEO da InnoSpace, afirmou que o Sebit foi desenvolvido para atender à crescente demanda por pesquisas científicas e demonstrações de tecnologias espaciais em diferentes setores, como biotecnologia, medicina, novos materiais e sistemas de orientação, navegação e controle.
Segundo ele, o contrato para uso da área de lançamento representa um marco importante na preparação da empresa para a oferta de serviços comerciais em larga escala.
O CEO acrescentou que, a partir desse voo de teste, a InnoSpace pretende aprimorar seus padrões de serviço como plataforma de testes e validação suborbital, oferecendo lançamentos personalizados para clientes dos setores espacial, de defesa, pesquisa e desenvolvimento e de alta tecnologia.
Segundo a companhia, o nome SEBIT faz referência à ideia de ‘luz precisa e delicada’. O foguete foi projetado para missões de teste e verificação.
Cenipa aponta causa da falha em lançamento anterior
Foguete HANBIT-nano explodiu após ser lançado na Base de Alcântara, no Maranhão
Reprodução/InnoSpace/Pedro Pallotta/Space Orbit
Em junho deste ano, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou o relatório final da investigação sobre a ocorrência. Segundo o órgão, o foguete apresentou comportamento normal nos instantes iniciais do voo, mas sofreu uma falha cerca de 33 segundos após a decolagem.
De acordo com o relatório, houve vazamento de gases de combustão na parte frontal da câmara de combustão do motor do primeiro estágio. Esse vazamento provocou a ruptura da estrutura e a perda do veículo lançador.
A investigação concluiu que a falha foi causada por problemas de vedação identificados após a remontagem de componentes durante os preparativos para o lançamento.
Segundo os investigadores, a compressão insuficiente e a deformação de elementos de vedação, depois da substituição de um plugue da câmara de combustão, permitiram o escape de gases quentes. Esse escape levou à falha catastrófica do foguete.
O acidente destruiu o veículo, mas não deixou feridos. Segundo o Cenipa, os danos materiais ficaram restritos à área de segurança prevista para a operação.
A divulgação do relatório também marcou a conclusão da primeira investigação de uma ocorrência espacial conduzida pelo Cenipa desde que o órgão passou a atuar como responsável pelo Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes em Atividades Espaciais (Sipae).