Quatro gerações da família do mestre Zé Olhinho mantêm viva a tradição do Boi de Santa Fé no Maranhão
Quatro gerações da família do mestre Zé Olhinho mantêm viva a tradição do Boi de Santa Fé
Quatro gerações da família do mestre Zé Olhinho mantêm viva a tradição do Boi de Santa Fé
No Boi Unidos de Santa Fé, sotaque da Baixada, o legado é passado de geração em geração. A família do mestre Zé Olhinho, amo do boi, mantém quatro gerações atuando na brincadeira, preservando a história do grupo e fortalecendo a identidade da manifestação cultural maranhense (Veja o vídeo acima).
Outros parentes do amo do boi, como irmão, filho, filha e netos, também integram o grupo desde muito cedo.
A história começou há 38 anos, com a fundação do Boi de Santa Fé, em São Luís, pelo mestre Zé Olhinho e amigos vindos da Baixada Maranhense. Desde então, diversos integrantes da família passaram a fazer parte do grupo.
Atualmente, quatro gerações da família participam da brincadeira: bisavô, avó, filha e bisneta. Cada uma delas se tornou guardiã de um patrimônio cultural que resiste ao tempo.
“É ter a certeza de que o Santa Fé não acabará; de que haverá prosseguimento, continuidade”, afirma mestre Zé Olhinho ao falar sobre o sentimento de ver quatro gerações da família atuando no grupo.
Quatro gerações da família do mestre Zé Olhinho mantêm viva a tradição do Boi de Santa Fé
Divulgação/Arquivo Pessoal
A primeira geração do Boi de Santa Fé é representada pelo próprio mestre Zé Olhinho. A segunda é formada pela filha dele, Cristina Ferreira, que já foi índia do boi e, desde cedo, ajudou o pai em diferentes atividades do grupo.
Atualmente, ela é responsável pela equipe de apoio que acompanha os integrantes durante as apresentações.
"Eu tenho uma filha que brinca de índia, um filho que é batuqueiro, outro filho que brinca de cazumba e, agora, uma neta que também brinca de cazumbá. Então, quando vejo minha neta ali, sinto muita emoção e muita felicidade, porque sei que estou levando adiante o legado que meu pai tenta nos transmitir durante toda a vida" destaca Cristina Ferreira.
Neta Valéria gravida da bisneta Maria Antonela
Divulgação/Arquivo Pessoal
Aos 28 anos, Valéria, começou a participar do grupo ainda bebê, no colo da mãe, já usando a indumentária de índia. Quando começou a dar os primeiros passos.
Mesmo durante a gravidez, Valéria continuou participando das apresentações. A história se repetiu com a filha, Maria Antonela, que atualmente tem 3 anos e, aos 1 ano de idade, passou a integrar o grupo como cazumbá.
A antropóloga e psicanalista Marilande Martins Abreu, professora do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), explica que a história do amo do Boi de Santa Fé está diretamente ligada à tradição familiar do bumba meu boi.
Para ela, a participação das crianças é essencial para garantir a continuidade da manifestação cultural.
"É fundamental que elas participem de acordo com a idade, convivam com a brincadeira, acompanhem os rituais e assistam às apresentações. É assim que criam vínculo com o boi e fortalecem a identidade cultural maranhense."
Tradição que atravessa gerações
Para o mestre Zé Olhinho, manter a tradição do Boi de Santa Fé por várias gerações da mesma família vai além da continuidade de uma brincadeira. É também uma forma de preservar a memória, a identidade cultural e os valores que fazem parte da história da comunidade.
“Ainda me acho em condições de passar um pouco do meu conhecimento e da minha experiência da vivência na cultura popular, sendo 38 dos meus 83 anos de idade dedicados ao Boi de Santa Fé. Tenho pedido a Deus e a São João que me mantenha com saúde para que eu continue à frente do grupo por muitos anos”, declarou.
Bisavô Zé Olhinho e bisneta Maria Antonela
Divulgação/Arquivo Pessoal
A sede do Boi de Santa Fé funciona no Bairro de Fátima, em São Luís, e a maioria dos integrantes do grupo é formada por moradores de bairros próximos. Cada geração transmite saberes, toadas, danças, costumes e sentimentos para as seguintes, mostrando que a tradição se renova sem perder suas raízes.
Como mestre Zé Olhinho costuma destacar, o Santa Fé é uma família, formada por pessoas que compartilham o sentimento de pertencimento, seja por laços familiares ou de amizade.